A rotina é quase automática para quem tem um carro moderno. Entras no carro, ligas o cabo ou o Bluetooth e esperas que o Android Auto ou o Apple CarPlay assumam o comando do ecrã central. Depois, a escolha resume-se a escolher entre o Google Maps e a sua pesquisa imbatível ou o Waze e os seus alertas comunitários.
Contudo, existe uma terceira alternativa menos conhecida. A responsável é a Mapbox e a sua nova aposta que quer mudar radicalmente o aspeto do sistema nativo do teu automóvel.
Mapbox replica no ecrã o que vês através do vidro
A Mapbox não é uma aplicação que descarregas na loja, mas sim uma plataforma de dados de localização que serve de "cérebro" aos sistemas de navegação integrados de várias marcas automóveis. A sua mais recente inovação, denominada 3D Lanes, ataca o maior ponto fraco dos GPS tradicionais, que é a abstração visual.
Enquanto o Google Maps te mostra setas e linhas simplificadas, esta nova tecnologia renderiza o ambiente rodoviário em três dimensões, para replicar fielmente o que vês através do vidro.
Esta funcionalidade foi desenhada para acabar com aquela hesitação típica em nós complexos ou saídas de autoestrada com múltiplas vias. O sistema desenha no ecrã as faixas de rodagem, os viadutos, pontes e túneis com uma correspondência visual quase perfeita com a realidade. O objetivo é reduzir a carga cognitiva do condutor, permitindo-te perceber instantaneamente em que faixa deves estar, sem teres de interpretar esquemas 2D enquanto conduzes a 120 km/h.
A grande diferença de abordagem aqui é a integração. O Google e o Waze tentam "invadir" o tablier do carro a partir do telemóvel. Já a Mapbox trabalha diretamente com os fabricantes para que o software corra nativamente no hardware do veículo. Esta tecnologia, desenvolvida com o apoio da BMW, utiliza os sensores do próprio carro para trazer uma fluidez e precisão que uma projeção de smartphone dificilmente consegue igualar.
É inegável que as aplicações móveis continuam a ter a vantagem da comunidade. A capacidade de reportar acidentes ou polícia em tempo real é um trunfo gigante, algo que detalhámos na nossa análise ao Waze que explica porque é que tantos portugueses não dispensam a app da Google. No entanto, se os sistemas nativos dos carros passarem a oferecer uma navegação visualmente superior e mais intuitiva, a necessidade de "espelhar" o telemóvel perde força.
