Existe a imagem mental de centenas de operários alinhados a apertar parafusos numa extensa linha de montagem nas fábricas de smartphones. A realidade que encontrei nos arredores de Pequim, ao ser o primeiro jornalista português a visitar a nova fábrica da Xiaomi, assemelha-se mais a um cenário de ficção científica do que a uma unidade industrial tradicional.
Silêncio na fábrica foi o que mais me impressionou
O silêncio foi o que que mais impressionou nesta visita. Não há gritos, não há correria; só ouvimos o zumbido constante de braços robóticos que dançam numa coreografia que impressiona. A Xiaomi investiu cerca de 292 milhões de euros para criar este espaço de 81 mil metros quadrados com o objetivo de eliminar o erro humano da equação.
A taxa de automação atinge os 81%, o que significa que a esmagadora maioria do processo de fabrico do teu Xiaomi 15 Ultra ou Redmi Note 15 é feita por máquinas que não se cansam, não têm dias maus e não tremem. O resultado é assustadoramente eficiente. A marca afirma que a cada seis segundos, um smartphone topo de gama sai da linha pronto a ser embalado.
O Xiaomi Hyper Intelligent Manufacturing System controla a operação
O cérebro desta operação não é o famoso chefe de turno que controla os funcionáros. Na verdade, é o Xiaomi Hyper Intelligent Manufacturing System. É um sistema digital que monitoriza tudo em tempo real num ecrã gigante que parece saído de um filme da NASA.
Se uma máquina precisa de manutenção ou se uma peça está em falta, o sistema resolve o problema autonomamente antes que ele afete a produção. E existem veículos autónomos a navegar pelo piso térreo com precisão, para transportar componentes sem a necessidade de intervenção humana.
Mudança de produção demora apenas 10 horas
Esta "fábrica escura" (embora a tenhamos visitado com boa luz), que é um termo usado na indústria para locais que podem operar sem luz porque os robôs não precisam de ver, muda também a velocidade com que a tecnologia chega à tua mão.
Numa fábrica normal, adaptar uma linha para produzir um novo modelo pode demorar uma semana. Aqui, graças a uma engenharia modular desenvolvida internamente, tudo se reconfigura em apenas 10 horas. É por isso que a marca consegue colocar milhões de unidades no mercado pouco tempo após o anúncio.
Tal como referimos no primeiro olhar à nossa visita à fábrica, há sempre humanos envolvidos a controlar. Este tipo de fábrica elimina alguns postos de trabalho, para dar lugar a outros. Mais concretamente postos de trabalho de monitorização de processos e dos próprios sistemas. Uma coisa é certa: esta fábrica está noutro nível.
De notar que não é permitido aos jornalistas filmar ou fotografar na fábrica da Xiaomi. Por isso, a marca partilha as imagens que ilustram este artigo.
