
Numa altura em que os combustíveis continuam a subir, quem quer comprar um carro novo e até aqui era avesso à mobilidade elétrica, talvez já pense duas vezes. Já testei vários carros elétricos aqui no 4gnews e tem sido uma ótima experiência, com modelos como o Renault 5, o BYD Atto 3 ou o Tesla Model Y. Mas há um problema: a rede pública de carregamento.
Se queres comprar carro elétrico, o meu maior conselho é confirmares primeiro que consegues carregar em casa (em segurança) ou no teu local de trabalho. Isto porque se te fores socorrer apenas na rede pública para carregar, vais ter alguns dissabores. Além de ser bem mais caro do que carregar em casa, esse não é o único problema.
Carregar na rua não é só mais caro: é muito complicado
Um dos grandes problemas da rede pública de carregamento é a complexidade para quem está a começar. Existem várias apps e cartões (que muitas vezes dão erro sem razão aparente) das respetivas plataformas para o efeito, com preços que entre si também diferem. E embora no passado tenha sido pior, tu chegas a um posto e entre preço da eletricidade e taxas e taxinhas, raramente é claro o que vais pagar no final do carregamento.
Carregar num posto público devia ser algo bem próximo do que é abastecer. Tu chegas, diz o preço final por kWh, ligas o carregador ao teu carro, ele reconhece-o, esperas que carregue, retiras e segues viagem. Na verdade, é uma experiência que apenas tive nos Superchargers da Tesla e devia ser possível tê-la em todos os carregadores.

Falta clareza e civismo no uso dos carregadores
Não raras vezes já cheguei a carregadores que apareciam na app como livres e estavam ocupados; também já fui a carregadores que apareciam como ativos e cheguei e estavam desligados. E falta também clareza, em muitos dos carregadores, sobre a velocidade máxima a que carregam. Principalmente postos mais antigos, nem sempre têm essa informação "à vista". E se não levas app, não a vais ter antes de ligar a tomada.
Ou também é muito comum acontecer chegares a um carregador que foi vítima de vandalismo e não tem cabos ou simplesmente a ficha ficou no chão a levar com chuva e não te vais sentir seguro a carregar dessa forma. O bom senso nem sempre impera, pois também já me aconteceu chegar a um espaço de carregamento ocupado por um veículo que não estava a carregar e o seu dono não estava no interior.
Convenhamos que poderás concordar comigo que, carregando em casa ou no trabalho, estes problemas não existem. Podem, entanto, existir quando fores de férias e tiveres de usar um carregador público. É um sistema que precisa de ser simplificado e ficar mais claro e 'amigo' do utilizador. Porque para quem tem de o usar frequentemente, torna-se pouco atrativo.
