Num momento em que os casos de cibercrime têm vindo a aumentar em Portugal, surge uma dúvida que preocupa todos nós: uma simples fotografia recebida nas redes sociais pode infetar automaticamente o telemóvel com malware?
A ideia é assustadora e bem real, como alertam os serviços de informação portuguesas, mas convém perceber a realidade. Malware é um software malicioso criado para roubar ou comprometer dados e, em teoria, qualquer ficheiro poderia servir de porta de entrada, mas nem tudo é necessariamente uma ameaça.
O que está realmente em risco
Segundo o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), consultado pela SIC, não se pode assumir que qualquer plataforma digital é 100% segura. O risco não está na imagem ou vídeo em si, mas sim em falhas de segurança nos dispositivos ou nas apps usadas para abrir esses ficheiros. Se tens Android, esta é a definição que deves verificar já.
“O download de um ficheiro multimédia (...) em dispositivos ou aplicações vulneráveis pode permitir a instalação de malware escondido dentro de ficheiros aparentemente normais”, explica o CNCS.
Ou seja, não é a fotografia que faz o mal, mas a exploração de falhas técnicas que pode vir junto com ela.
Casos que já aconteceram
Em 2019, descobriu-se que GIFs maliciosos podiam infetar o WhatsApp para Android e executar código remoto. O problema foi corrigido na versão 2.19.244, mas muitas apps ainda usam a biblioteca antiga, deixando dispositivos desatualizados em risco. Isto mostra que o perigo existe, mas são situações muito específicas e dependem de software desatualizado ou falhas específicas.
Mais recentemente, um virus começou a ser vendido em fóruns da dark web, com a promessa de explorar falhas no WhatsApp, tanto em Android como em iOS.
Como te proteger
Aqui vão algumas dicas práticas que podes aplicar já para reduzir riscos:
- Mantém o sistema operativo e as apps sempre atualizados.
- Desativa a transferência automática de ficheiros em apps de mensagens.
- Desconfia de mensagens e imagens de desconhecidos.
- Não cliques em links ou anexos suspeitos.
- Revê as definições de privacidade das tuas aplicações de mensagens.
- Instala apps apenas de fontes oficiais, como a Google Play Store ou a App Store da Apple.
- Reinicia o telemóvel com regularidade para manter a performance e segurança.
Se suspeitares que o telemóvel foi comprometido, o CNCS recomenda repor os valores de fábrica. Fica atento a sinais como uso anormal de dados, bateria a esgotar-se rapidamente ou telemóvel a aquecer sem motivo aparente.
A chave está no comportamento
O CNCS sublinha que as ameaças evoluem rapidamente e que o comportamento do utilizador é tão importante quanto as ferramentas de segurança. Malware raramente se instala sozinho num telemóvel atualizado e com boas práticas de segurança. A maior parte dos riscos surge quando se clicam em ficheiros ou links suspeitos.
Concluindo...
Descarregar uma fotografia, por si só, não instala automaticamente malware. Existem riscos, sim, mas eles dependem de vulnerabilidades específicas. Mantendo o telemóvel atualizado, com apps seguras e adotando hábitos de “ciber-higiene”, podes continuar a receber e abrir fotos sem medo.
A regra de ouro: fica atento e pensa duas vezes antes de clicar e protege o teu telemóvel.
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