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Crise das memórias pode ditar o fim dos PCs baratos

Consultora especializada em TI prevê aumento de 17% nos preços e desaparecimento dos computadores abaixo dos 500 dólares até 2028.

Crise das memórias pode ditar o fim dos PCs baratos
(Imagem: Anthony Roberts/ Unplash)

Depois de indicar que a crise global das memórias RAM pode levar o mercado de smartphones à maior queda da década em 2026, uma nova análise mostra que o impacto não se limita aos telemóveis. Segundo a empresa de pesquisa e consultoria de tecnologia da informação (TI) Gartner, o setor de PCs também será fortemente afetado, podendo até resultar no desaparecimento dos computadores básicos.

O fim dos computadores de entrada

A consultora prevê que as vendas globais de PCs caiam 10,4% em 2026 face a 2025. Nos smartphones, a queda estimada é de 8,4%. A principal razão é o forte aumento dos custos de memória. A Gartner estima que os preços de DRAM e SSD possam subir até 130% até ao final de 2026. Como consequência, os preços dos PCs deverão aumentar em média 17%.

"Este aumento acentuado elimina a capacidade dos fornecedores de absorver os custos, tornando inviável a produção de portáteis de entrada com baixa margem de lucro. Em última análise, esperamos que o segmento de PCs de entrada com preço abaixo de 500 dólares desapareça até 2028." — Ranjit Atwal, Analista Diretor Sénior da Gartner.

O problema é que, nos computadores mais baratos, as margens de lucro já são muito reduzidas. Com a memória a representar uma fatia cada vez maior do custo total de produção, os fabricantes deixam de conseguir absorver os aumentos. Resultado: o segmento de PCs abaixo dos 500 dólares (cerca de 426 euros) deverá desaparecer até 2028.

Crise das memórias pode ditar o fim dos PCs baratos
(Imagem: Divulgação/ Micron)

Preços a subir e impacto na Inteligência Artificial

Isto significaria o fim dos chamados “PCs básicos” ou de entrada, mas a Gartner também prevê que os modelos entre 500 e 1.000 dólares (até 850 euros) também deverão ficar mais caros, já que as marcas não têm alternativa a não ser transferir os custos para o consumidor. Em vez de vender mais barato e perder dinheiro, a estratégia deverá ser vender menos, mas manter a margem.

O relatório também indica que o mercado de PCs com IA também poderá sentir o impacto desta crise. Com custos mais elevados, a adoção destes equipamentos deverá desacelerar até 2027, atrasando metas de penetração de 50% desta categoria de PCs no mercado.

Consumidores vão adiar a compra de novos equipamentos

Outro efeito esperado é o adiamento da troca de computador. A Gartner prevê que a vida útil média dos PCs aumente até 20% entre os consumidores até ao final de 2026. Muitas pessoas vão preferir manter o equipamento atual por mais tempo, à espera que os preços estabilizem.

Em resumo, a crise das memórias não está apenas a provocar uma queda nas vendas. Está a mudar o próprio mercado. Se nada mudar, os PCs de baixo custo poderão tornar-se coisa do passado nos próximos anos e estes equipamentos que são utilizados diariamente por mil milhões de pessoas deverão ter preços de entrada cada vez mais altos.

Portanto, se estava à espera para comprar um PC ou portátil de entrada ou intermédio, é melhor fazê-lo o quanto antes enquanto estes segmentos não "desaparecem" do mercado ou ficam mais caros.

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 William Schendes
William Schendes
Jornalista e criador de conteúdos, escreve sobre tecnologia, videojogos e cibersegurança desde 2022. No 4gnews, escreve sobre as novidades do mundo tech, mas anteriormente já produziu de tudo um pouco: reviews, reportagens, artigos especiais e tutoriais.