A escalada dos preços dos combustíveis volta a colocar na 'ordem do dia' a questão se não compensa ter um carro elétrico e se estes aumentos não poderão mesmo impactar na procura por VE.
Efetivamente, os preços da gasolina e do gasóleo estão a subir fortemente em vários mercados, o que faz com que os custos de mobilidade também aumentem, o que, por sua vez, parece estar a despertar maior interesse entre os consumidores nos carros elétricos.
Portugal parece não fugir à tendência e os consumidores começam a olhar para os VE como alternativa à volatilidade dos combustíveis, refletindo maior procura e consultas sobre modelos elétricos, mesmo considerando os custos na sua aquisição (uma das principais razões de resistência dos consumidores).
Considerando esses custos de aquisição, VE vs. veículos a combustão, a volatilidade patente nos dois mercados, eletricidade e combustíveis, e o preço médio de carregamento, será que compensa passar para a eletricidade?
Da bomba à tomada — Quais os custos?
Segundo dados de fontes oficiais, em março, em média, a gasolina sem chumbo 95 está a rondar cerca de ~1,76 € – 1,78 €/L e o gasóleo simples tem preços médios a subir para ~1,81 € – 1,82 €/L ou mais, ou seja, ambos têm subido nas últimas semanas.
Já um carro elétrico carregado em casa custa, em média, muito menos. Por exemplo, por 100 km, custa cerca de €2–€4/100 km em casa, dependendo da tarifa e modo de carregamento, contra €7–€10/100 km para gasolina/diesel.
No entanto, se carregares em postos públicos rápidos, o custo por 100 km pode aumentar e, em alguns casos, ficar semelhante ou até um pouco superior ao diesel — o que acontece quando o preço por kWh é elevado.
Portanto, o custo energético por km é claramente mais barato com carregamento doméstico, mas se dependeres muito de carregadores públicos rápidos ao longo de viagens longas, essa vantagem diminui.
Ou seja, o carregamento elétrico é determinante, o carregamento público pode diminuir a vantagem.
Outros custos associados
A estabilidade dos mercados é também algo a considerar. Apesar de também poder subir, os preços da eletricidade são geralmente menos voláteis do que os preços da gasolina/diesel.
Relativamente ao custo de compra da viatura, é factual que os VE têm um preço de compra ainda mais alto do que carros equivalentes a combustão.
Contudo, este também está a diminuir e é necessário sublinhar os incentivos fiscais associados à compra dos ‘veículos verdes’, bem como a manutenção, que nos carros elétricos tende a ter custos inferiores.
Tabela comparativa (preços médios em março)
| Gasolina | Gasóleo | Elétrico - casa | Elétrico - posto público | |
| Preço médio de compra (€) | ~25 000 | ~26 000 | ~32 000 | ~32 000 |
| Consumo (médio) | 7 L/100 km | 6 L/100 km | 18 kWh/100 km | 18 kWh/100 km |
| Custo por 100 km | ~12,5 € | ~10,9 € | ~4,0–5,0 € | ~5,4–11,7 € |
| Manutenção (ano) | ~600 € | ~550 € | ~250 € | ~250 € |
| Incentivos |
— |
— |
~3 000 € |
~3 000 € |
| Total em 5 anos (aprox.) | ~40 000 € | ~39 000 € | ~37 000 € | ~38 000–42 000 € |
Portanto, o tempo estimado de retorno (payback) de um VE é de aproximadamente três a quatro anos, em carregamentos maioritariamente em casa, alongando-se quando estes acontecem mais em postos públicos rápidos/ultrarrápidos.
Conclusão
Se compensa ou não? Sim, mas depende onde carregas.
Em carregamentos em casa a resposta é clara: compensa economicamente, especialmente com os preços atuais elevados dos combustíveis. Em carregamentos em postos públicos externos (rápidos/ultrarrápidos) pode nem sempre compensar, em termos de custo por km, comparado com um carro a gasóleo, particularmente para quem faz viagens frequentes ou longas, onde usa estes postos.
Confere duas recomendações, testadas pela 4gnews, para quem está à procura de carro elétrico: Tesla Model 3 e o BYD Atto 3 EVO.
