Ao comprar através dos nossos links, podemos receber uma comissão. Saiba como funciona.

Conduzimos o BYD Dolphin Surf: o carro elétrico mais barato da marca chinesa

BYD

BYD Dolphin Surf
★★★★☆4Bom

Com uma bateria LFP de 43,2 kWh e um motor de 88 cavalos, não é propriamente um desportivo, mas revela-se poupadinho no trânsito citadino, onde consegui registar consumos na ordem dos 12 kWh. O design frontal arrojado atrai e em espaços curtos é formidável nas manobras. Contudo, o preço a ultrapassar a barreira dos 25 mil euros coloca-o numa posição difícil face a concorrentes de segmentos teoricamente superiores. É uma máquina competente para a cidade, mas o preço pode ser o principal entrave para a compra em Portugal.

Prós
  • Eficiência em cidade com consumos de 12 kWh por cada 100 quilómetros
  • Bagageira surpreendente para o tamanho do carro com 308 litros de capacidade
  • Insonorização do habitáculo surpreende
  • Raio de viragem excelente para manobras diárias em locais apertados
  • Android Auto e Apple CarPlay sem fios integrados no sistema de origem
Contras
  • Direção pesada para um automóvel de vocação puramente urbana
  • Controlos cilíndricos na consola central têm ergonomia discutível
  • Preço aproxima-o de modelos de segmentos mais altos
  • Suspensão transmite com alguma facilidade as irregularidades do piso citadino
Especificação Detalhe
Preço base A partir de 25 225 euros na versão Boost
Bateria e autonomia LFP de 43,2 kWh para 322 km em ciclo WLTP
Motorização 88 cavalos de potência (65 kW)
Bagageira 308 litros de capacidade
Conetividade Sistema próprio; Android Auto e Apple CarPlay sem fios

O mercado dos veículos elétricos utilitários está ao rubro e a BYD quer uma fatia cada vez maior do nosso mercado. Noutro segmento, o Atto 3 faz um sucesso tremendo. O Dolphin Surf é um modelo que tenta encontrar o equilíbrio entre os custos de locomoção e a funcionalidade diária. Mas a concorrência está forte neste patamar e a BYD pede desde 25 225 € por este Dolphin Surf na versão Boost de teste.

Este modelo assume-se como uma opção mais cara e maior que o Dacia Spring, que já tivemos oportunidade de conduzir em França. Curiosamente, o Surf consegue ser ligeiramente mais comprido que o seu rival direto, o Hyundai Inster, e ultrapassa até o comprimento do Renault 5, um automóvel que milita num segmento superior. O grande desafio deste BYD é justificar que os seus atributos diários compensam o valor.

byd

Design e construção

A estética exterior do Dolphin Surf não pede licença para passar despercebida, especialmente nesta apelativa cor Ice Blue que testei. A marca afastou-se do conservadorismo estético e apresenta linhas muito próprias. A secção frontal tem gerado conversas desde o lançamento, com muitos a apontarem semelhanças com o formato do Lamborghini Huracán.

No habitáculo, o conforto surpreendeu-me pela positiva face aos padrões do segmento B, acompanhado por uma insonorização bastante eficaz para um carro destas dimensões. No entanto, por ser tão compacto, acabas inevitavelmente por sentir mais os solavancos e as irregularidades características do asfalto esburacado das nossas cidades.

byd

Espaço a bordo e tecnologia

Apesar das dimensões exteriores mais esticadas que a concorrência direta, o aproveitamento interior tem pontos a ter em conta. Não tens o mesmo espaço livre para os passageiros que encontras no Inster, embora consiga acomodar quatro pessoas sem grande drama. Onde o Surf brilha de forma categórica é na zona de carga, com uns muito aceitáveis 308 litros na bagageira.

No departamento tecnológico, o ecrã central alberga um sistema de infoentretenimento repleto de opções. Embora a sua navegação não seja a mais intuitiva de usar em andamento, a inclusão de Android Auto e Apple CarPlay sem fios resolve grande parte das dores de cabeça. A marca optou por manter muitos botões físicos, algo que aplaudo de pé. Mas a escolha por controlos de formato cilíndrico para várias ações é algo discutível na hora de operar o ar condicionado ou as marchas à pressa.

byd

Condução, bateria e consumos

O habitat natural desta versão Boost é o trânsito da hora de ponta. Com 88 cavalos de potência e um motor claramente focado na autonomia em vez da performance, não vais colar as costas ao banco quando arrancas; mas tens a agilidade mais que suficiente para o dia a dia. O ângulo de viragem curto é um mimo para saíres daqueles lugares complicas no estacionamento. O único aspeto a rever na dinâmica é a direção, que se apresenta pesada para um citadino que deveria ser leve. Ao fim de uns dias habituas-te.

A bateria LFP de 43,2 kWh é um bom trunfo. A marca promete 322 quilómetros de autonomia com uma média de 15,6 kWh, mas os meus testes revelaram dados muito interessantes. Com o meu habitual pé leve no para arranca da cidade, o computador de bordo registou consumos incríveis a rondar os 12 kWh. O que te permite apontar aos 322 km de alcance prometidos pela marca se não saíres do perímetro urbano.

BYD

Ao entrares na autoestrada e em vias nacionais, onde admito que não poupei o acelerador, a média subiu para uns ainda contidos 14.5 a 15 kWh. Neste circuito misto, podes contar com uma margem de segurança entre os 250 e os 280 quilómetros, dependendo do tipo de trajeto e também da forma como abordas o acelerador e a travagem regenerativa.

Para quem é o BYD Dolphin Surf

  • Condutores citadinos que querem bons consumos elétricos e facilidade de estacionamento;
  • Pequenas famílias que dão muito valor a uma bagageira generosa de 308 litros para as compras da semana;
  • Utilizadores que recusam ecrãs táteis para tudo e fazem questão de ter botões físicos no habitáculo;
  • Pessoas que gostam de designs exteriores arrojados e fora da norma nestes citadinos.

BYD

O BYD Dolphin Surf não é para automobilistas que querem acelerações de colar ao banco e dinâmicas desportivas numa estrada de curvas, condutores que exigem um espaço muito folgado para os joelhos nos bancos traseiros para viagens longas ou utilizadores com orçamentos limitados que não pretendem chegar à fasquia dos 25 mil euros por um carro urbano

Conclusão

O BYD Dolphin Surf na versão Boost é um automóvel cheio de personalidade que faz todo o sentido na labuta diária. A eficiência energética que demonstra em percursos citadinos é formidável e o espaço da bagageira supera as expectativas para a sua classe. Porém, o seu calcanhar de Aquiles reside no preço pedido.

BYD

Ao pedir um valor base na casa dos 25 225 euros, o modelo afasta-se das alternativas de baixo custo - como o Dacia Spring ou Leapmotor T03 - e entra no território de rivais do segmento imediatamente acima. Terás de colocar na balança se este perfil citadino e os baixos consumos justificam o investimento perante propostas historicamente mais estabelecidas na Europa.

Sabe mais sobre o BYD Dolphin Surf no site oficial da BYD.

Adiciona o 4gnews ao teu Google News Google News
Bruno Coelho
Bruno Coelho
Está no 4gnews desde 2017, onde dá asas à sua paixão por escrever sobre tecnologia. Já fez mais de 300 reviews a equipamentos, visitou fábricas de smartphones na China e marcou presença em alguns dos grandes eventos tecnológicos, como o Mobile World Congress e IFA. É editor-chefe desde 2025.