
| Especificação | Detalhe |
|---|---|
| Preço base | A partir de 25 225 euros na versão Boost |
| Bateria e autonomia | LFP de 43,2 kWh para 322 km em ciclo WLTP |
| Motorização | 88 cavalos de potência (65 kW) |
| Bagageira | 308 litros de capacidade |
| Conetividade | Sistema próprio; Android Auto e Apple CarPlay sem fios |
O mercado dos veículos elétricos utilitários está ao rubro e a BYD quer uma fatia cada vez maior do nosso mercado. Noutro segmento, o Atto 3 faz um sucesso tremendo. O Dolphin Surf é um modelo que tenta encontrar o equilíbrio entre os custos de locomoção e a funcionalidade diária. Mas a concorrência está forte neste patamar e a BYD pede desde 25 225 € por este Dolphin Surf na versão Boost de teste.
Este modelo assume-se como uma opção mais cara e maior que o Dacia Spring, que já tivemos oportunidade de conduzir em França. Curiosamente, o Surf consegue ser ligeiramente mais comprido que o seu rival direto, o Hyundai Inster, e ultrapassa até o comprimento do Renault 5, um automóvel que milita num segmento superior. O grande desafio deste BYD é justificar que os seus atributos diários compensam o valor.

Design e construção
A estética exterior do Dolphin Surf não pede licença para passar despercebida, especialmente nesta apelativa cor Ice Blue que testei. A marca afastou-se do conservadorismo estético e apresenta linhas muito próprias. A secção frontal tem gerado conversas desde o lançamento, com muitos a apontarem semelhanças com o formato do Lamborghini Huracán.
No habitáculo, o conforto surpreendeu-me pela positiva face aos padrões do segmento B, acompanhado por uma insonorização bastante eficaz para um carro destas dimensões. No entanto, por ser tão compacto, acabas inevitavelmente por sentir mais os solavancos e as irregularidades características do asfalto esburacado das nossas cidades.

Espaço a bordo e tecnologia
Apesar das dimensões exteriores mais esticadas que a concorrência direta, o aproveitamento interior tem pontos a ter em conta. Não tens o mesmo espaço livre para os passageiros que encontras no Inster, embora consiga acomodar quatro pessoas sem grande drama. Onde o Surf brilha de forma categórica é na zona de carga, com uns muito aceitáveis 308 litros na bagageira.
No departamento tecnológico, o ecrã central alberga um sistema de infoentretenimento repleto de opções. Embora a sua navegação não seja a mais intuitiva de usar em andamento, a inclusão de Android Auto e Apple CarPlay sem fios resolve grande parte das dores de cabeça. A marca optou por manter muitos botões físicos, algo que aplaudo de pé. Mas a escolha por controlos de formato cilíndrico para várias ações é algo discutível na hora de operar o ar condicionado ou as marchas à pressa.

Condução, bateria e consumos
O habitat natural desta versão Boost é o trânsito da hora de ponta. Com 88 cavalos de potência e um motor claramente focado na autonomia em vez da performance, não vais colar as costas ao banco quando arrancas; mas tens a agilidade mais que suficiente para o dia a dia. O ângulo de viragem curto é um mimo para saíres daqueles lugares complicas no estacionamento. O único aspeto a rever na dinâmica é a direção, que se apresenta pesada para um citadino que deveria ser leve. Ao fim de uns dias habituas-te.
A bateria LFP de 43,2 kWh é um bom trunfo. A marca promete 322 quilómetros de autonomia com uma média de 15,6 kWh, mas os meus testes revelaram dados muito interessantes. Com o meu habitual pé leve no para arranca da cidade, o computador de bordo registou consumos incríveis a rondar os 12 kWh. O que te permite apontar aos 322 km de alcance prometidos pela marca se não saíres do perímetro urbano.

Ao entrares na autoestrada e em vias nacionais, onde admito que não poupei o acelerador, a média subiu para uns ainda contidos 14.5 a 15 kWh. Neste circuito misto, podes contar com uma margem de segurança entre os 250 e os 280 quilómetros, dependendo do tipo de trajeto e também da forma como abordas o acelerador e a travagem regenerativa.
Para quem é o BYD Dolphin Surf
- Condutores citadinos que querem bons consumos elétricos e facilidade de estacionamento;
- Pequenas famílias que dão muito valor a uma bagageira generosa de 308 litros para as compras da semana;
- Utilizadores que recusam ecrãs táteis para tudo e fazem questão de ter botões físicos no habitáculo;
- Pessoas que gostam de designs exteriores arrojados e fora da norma nestes citadinos.

O BYD Dolphin Surf não é para automobilistas que querem acelerações de colar ao banco e dinâmicas desportivas numa estrada de curvas, condutores que exigem um espaço muito folgado para os joelhos nos bancos traseiros para viagens longas ou utilizadores com orçamentos limitados que não pretendem chegar à fasquia dos 25 mil euros por um carro urbano
Conclusão
O BYD Dolphin Surf na versão Boost é um automóvel cheio de personalidade que faz todo o sentido na labuta diária. A eficiência energética que demonstra em percursos citadinos é formidável e o espaço da bagageira supera as expectativas para a sua classe. Porém, o seu calcanhar de Aquiles reside no preço pedido.

Ao pedir um valor base na casa dos 25 225 euros, o modelo afasta-se das alternativas de baixo custo - como o Dacia Spring ou Leapmotor T03 - e entra no território de rivais do segmento imediatamente acima. Terás de colocar na balança se este perfil citadino e os baixos consumos justificam o investimento perante propostas historicamente mais estabelecidas na Europa.
Sabe mais sobre o BYD Dolphin Surf no site oficial da BYD.
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