
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Bateria | 60,4 kWh |
| Autonomia | 420 km (WLTP combinado) |
| Potência | 150 kW (204 cv) |
| Aceleração | 0-100 km/h em 7,3 segundos |
| Carregamento | Até 110 kW em DC |
A BYD encontrou no Atto 3 a fórmula mágica para penetrar no mercado europeu e, especificamente, no português. Não é por acaso que este é o modelo mais matriculado da marca em 2025 em Portugal e uma presença constante nas estradas nacionais. A renovação para 2025 não mexe naquilo que funciona, mas corrige o que os clientes pediam e reforça a perceção de qualidade.
O exterior mantém-se consensual, para agradar à generalidade dos condutores, mas agora com um toque mais "dark". As molduras das portas e o pilar traseiro são agora em preto, as jantes de 18 polegadas têm novo desenho e a nova cor Cosmos Black (que testámos) assenta-lhe bem. Mas a grande novidade é a remoção da frase "Build Your Dreams" da traseira, substituída por um logótipo mais discreto, para satisfazer um pedido antigo dos clientes europeus.

Esta atualização consolida o Atto 3 como uma alternativa racional e económica face à combustão. Se ainda duvidas das contas, sabe que o carro elétrico é mais barato que o carro a diesel, especialmente quando olhamos para os custos de manutenção e energia deste SUV ao longo do tempo.
Experiência de utilização
Exterior sóbrio, interior arrojado
Onde a BYD arrisca é no interior, mas fá-lo com uma qualidade de construção que merece elogios. Se ainda tens preconceitos sobre carros chineses, podes colocá-los de parte. Aqui encontras uma montagem sólida, sem ruídos parasitas e com materiais agradáveis ao toque, num nível que está acima de alguns concorrentes europeus do mesmo segmento.

A inspiração no mundo do ginásio mantém-se. A manete das mudanças imita um peso de musculação e as saídas de ventilação parecem discos de halteres. Nas portas, encontras as famosas cordas de guitarra elásticas nas arrumações, que na prática funcionam bem para segurar garrafas grandes.

O que mudou nesta versão de 2025 foi a paleta de cores, agora mais sóbria com o interior em preto de série. O espaço a bordo é imperial para um segmento C. Atrás, três adultos viajam com dignidade e colocar cadeiras de criança é tarefa fácil graças ao piso plano. A bagageira de 440 litros cumpre, engolindo a tralha do dia a dia ou servindo para o tetris das malas de viagem nas férias. Ah, e pode chegar aos 1338 litros com os bancos rebatidos.

Ecrã rotativo e infoentretenimento intuitivo
No capítulo tecnológico, o ecrã rotativo (12,8 ou 15,6 polegadas, consoante a versão) continua a ser o centro das atenções. Podes usá-lo na vertical ou horizontal, embora o Android Auto e Apple CarPlay apenas funcionem na horizontal. Que é também a modalidade que acabo por preferir.

O sistema operativo da BYD é fluido, permite instalar apps como o YouTube e a navegação integrada é competente. O painel de instrumentos mostra toda a informação necessária e as ajudas à condução necessárias estão todas cá. As câmaras são de boa qualidade, inclusive a 360 dá muito jeito quando queremos estacionar em paralelo ou passar em ruas apertadas.

Ao volante: conforto acima de tudo, mas sem "one pedal"
A posição de condução é elevada, típica de SUV. Por isso considero a visibilidade excelente. No entanto, se fores muito alto, podes sentir que estás demasiado "em cima" e vês demasiado o capô. O conforto dos bancos é, contudo, inegável. Na versão Design contam até com ventilação, um luxo nos dias de verão e que até agradeço mais que bancos aquecidos.
Em estrada, o Atto 3 privilegia o conforto. A suspensão filtra bem as irregularidades do piso português e a insonorização é bastante boa para esta faixa de preço. Os 204 cavalos chegam e sobram para o dia a dia, com uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 7,3 segundos que te permite despachar ultrapassagens com segurança.

O ângulo de viragem curto é um trunfo em cidade e facilita manobras em ruas apertadas. Senti bastante confiança em algumas ruas apertadas aqui ao pé de casa neste pormenor. Há, no entanto, um detalhe na condução que tens de saber, que é a intensidade da travagem regenerativa.
Mesmo configurada para o nível máximo, a retenção podia ser mais imponente. Se estás à espera daquela condução de "one pedal" típica de outros elétricos, onde quase não tocas no travão, aqui isso não acontece. Vais ter de recorrer ao pedal do travão com frequência para imobilizar o carro.

Contudo, esta calibração mais suave acaba por não ser um defeito para toda a gente, podendo até agradar a alguns condutores que fazem a transição de um carro a combustão e não gostam de sentir o carro a "travar sozinho" bruscamente. Vai depender do gosto de cada um.
Os consumos são honestos para o tamanho e peso. Consegui fazer em torno de 16-17 kWh em média, mas foi com condução tanto em cidade como autoestrada. A bateria de 60,4 kWh promete uma autonomia WLTP de até 420 km, que em ciclo urbano pode esticar até aos 565 km.

Pelos meus testes diria que podes esperar uma autonomia real de cerca de 400 quilómetros em cenário urbano e 300 km se o fores levar para a autoestrada. O carregamento rápido foi melhorado para 110 kW, permitindo carregar de 30% a 80% em 28 minutos, o suficiente para uma pausa rápida em viagens longas. Pela minha experiência, só começa a baixar drasticamente a velocidade de carregamento nos 95%.
Para quem é o BYD Atto 3
Este carro é ideal para famílias que precisam de um carro espaçoso para percursos urbanos e suburbanos (e algumas viagens maiores pelo meio), que valorizam a robustez e o conforto. É também uma boa escolha para empresas e profissionais, dado que a campanha atual coloca a versão Comfort a começar nos 29 850 euros (+IVA), um valor imbatível para a qualidade que oferece.

Não é para ti se procuras emoção na condução ou se fazes questão de conduzir apenas com o pedal do acelerador usando a regeneração máxima. Se preferes o minimalismo interior de outros ou uma condução mais desportiva, talvez devas procurar noutro lado.
Conclusão
O BYD Atto 3 (2025) prova que a marca chinesa aprende rápido. Ouviram o feedback, retiraram os elementos visuais mais polémicos do exterior e mantiveram a excelente qualidade de construção que já caracterizava o modelo. Apesar da travagem regenerativa não ser a mais forte do mercado, o conjunto de conforto, preço de campanha agressivo e lista de equipamento completa torna-o uma das compras mais recomendadas e seguras do mercado elétrico atual.
Confere todos os detalhes e campanhas do Atto 3 no site oficial da BYD. Vê ainda a nossa review ao Renault 4, um SUV de segmento C com uma abordagem arrojada.
