Autonomia e tempo de carregamento são os principais problemas dos carros elétricos (VE), que impedem que a revolução no setor automóvel, dos veículos a combustão para VE, seja completa.
A fabricante chinesa BYD, que acredita que a evolução nos carros elétricos está mais no tempo de recarga, está a tentar resolver a questão com uma bateria e carregadores ultrarrápidos que podem reduzir esse tempo a alguns minutos, numa experiência semelhante a uma paragem para abastecimento tradicional.
Como anunciámos, a 5 de março a BYD apresentou a chegada ao mercado a nova geração de carregadores ultrarrápidos, os Flash Charger. Com potência até 1.500kW, e com eles o Blade Battery 2.0, a bateria própria da BYD, que quando associados garantem, segundo dados oficiais da marca, uma velocidade de carregamento de 2 km a cada segundo. Ou seja, por exemplo, demoraria cerca de cinco minutos para chegar de 10 a 70% da bateria e menos de dez minutos para atingir cerca de 97%.
Na prática, significaria anularia a desvantagem dos elétricos, pois aproximaria o tempo de recarga ao tempo de reabastecimento de um carro a combustão, diminuindo igualmente a chamada 'ansiedade de carregamento'.
A nova bateria da BYD promete ainda uma autonomia de quase 1.000 km e também um tempo de vida útil de um milhão de km, algo sem precedentes no setor dos carros elétricos.
Carregamentos ultrarrápidos
Como se percebe, a inovação nas baterias apresentada pela BYD está diretamente ligada à nova geração de carregadores Flash Charge, ou seja, precisa destes carregadores específicos, que, para já, apenas existem na China e precisam de três a seis vezes mais potência do que a maioria da infraestruturas atuais.
Assim, os carregadores de 1.500 Kw acarretam grandes desafios do ponto de vista de densidade enérgica, sendo inúteis sem uma rede elétrica à altura. Ideia reforçada pela própria BYD, que assume ter de construir infraestruturas específicas para usar essa tecnologia.
Na China estão anunciadas 15 mil dessas estações, mas a marca aponta à expansão global, sendo de acreditar que chega ao mercado europeu e a Portugal entre o final de 2026 e 2027.
Modelos disponíveis
Além dos futuros modelos da BYD, o Denza Z9 G e o Yangwang U7 foram anunciados como utilizando a nova bateria, que não está disponível nos modelos que já rolam nas estradas nacionais, como o BYD Atto 3 ou o BYD Seal U, testados pela 4gnews. No entanto, sabe-se que os custos dos veículos serão sempre avultados, pois estaremos sempre a falar de carros de gama alta.
Em suma, a nova bateria da BYD pode vir a ser considerada um marco no setor dos carros elétricos, pois pode reduzir drasticamente o tempo de carregamento, mitigando uma das principais barreiras para a adoção massiva dos VE. Contudo, a 'revolução' está dependente de ser acompanhada pelas infraestruturas.
