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Autonomia real dos carros elétricos: testes revelam quem cumpre e quem fica aquém

Testes em autoestrada mostram que muitos (metade) elétricos não atingem a autonomia anunciada. Há, porém, marcas que surpreendem pela positiva e isso faz toda a diferença para quem conduz em Portugal.

BMW
BMW i4 e I5 destacaram-se nos testes de autonomia. Imagem: Unsplash

Testes independentes realizados nos EUA, pela Consumer Reports, em condições controladas de autoestrada (~112 km/h), revelam um dado crítico: mais de metade dos veículos elétricos não atinge a autonomia oficial definida pela EPA.

As diferenças não são residuais. Em vários casos, os desvios ultrapassam os 50 a 80 km por carga, o que impacta diretamente o número de paragens em viagem.

Modelos de maior dimensão foram os mais penalizados. Pick-ups e berlinas de luxo registaram perdas significativas, confirmando que peso e aerodinâmica continuam a ser fatores determinantes.

BMW destaca-se entre quem surpreende pela positiva

Mas nem todos os resultados são negativos. Algumas marcas destacaram-se por superar, ou pelo menos igualar, os valores oficiais.

Os dados mostram que:

  • BMW lidera em consistência, com ganhos médios até +18% face à autonomia anunciada;
  • Mercedes-Benz também apresenta resultados acima da média, com desvios positivos relevantes;
  • Cadillac surge como caso pontual de overperformance.

Como exemplos concretos temos os BMW i4 e i5, que conseguiram mais 70–80 km do que os valores de referência em testes reais.

Quem fica abaixo do esperado

No extremo oposto, surgem marcas e modelos que não conseguem replicar os números oficiais em autoestrada.

Casos mais evidentes:

  • Ford F-150 Lightning: cerca de -80 km face ao anunciado;
  • Lucid Air: desvios na ordem dos -60 km;
  • Tesla Model S: aproximadamente -40 km em utilização real.

Também marcas como Rivian apresentaram resultados abaixo das expectativas.

O padrão é claro: veículos maiores, mais pesados e menos eficientes aerodinamicamente tendem a sofrer maiores perdas em velocidade constante.

Model 3
Tesla Model 3 ficou abaixo do esperado. Imagem: Unsplash

O problema dos números oficiais

A origem destas discrepâncias está nos próprios ciclos de homologação.

Os valores WLTP (na Europa) e EPA (nos EUA): incluem condução urbana; utilizam velocidades médias mais baixas; e decorrem em condições ideais.

Em autoestrada, o cenário muda completamente.

Na prática, um carro com 500 km WLTP pode oferecer apenas 320 a 380 km reais a 120 km/h.

O que isto significa em Portugal

O impacto destes dados é particularmente relevante no contexto nacional, se considerarmos a dependência da autoestrada

Percursos como Lisboa–Porto ou Lisboa–Algarve são feitos maioritariamente a velocidade constante, onde o consumo é mais elevado.

Diferenças de 60–80 km podem significar mais uma paragem obrigatória.

Assim, eficiência = custo, ou seja, o consumo real varia entre:

  • 16–18 kWh/100 km (modelos eficientes)
  • 20–25 kWh/100 km (SUVs e veículos grandes)

Com eletricidade a ~0,20 €/kWh, isto representa:

  • 3,2 a 3,6 €/100 km nos melhores casos
  • até 5 €/100 km nos menos eficientes

Os testes reforçam uma conclusão essencial: a autonomia nominal é um indicador incompleto, mais importante que a autonomia é a eficiência. O fator decisivo é o consumo energético.

Dois carros com 500 km WLTP podem ter comportamentos muito diferentes em autoestrada, dependendo da eficiência aerodinâmica, peso e gestão energética.

eletyrico
Imagem: Unsplash

Uma nova forma de escolher

Os dados revelados pela Consumer Reports apontam para uma mudança no critério de decisão.

Em vez de olhar apenas para a autonomia anunciada, o consumidor deve considerar o desempenho em autoestrada; o consumo real (kWh/100 km); e a consistência face aos valores oficiais.

Em conclusão, estes testes independentes confirmam que a autonomia dos elétricos varia significativamente em condições reais. Há marcas que cumprem — e até superam — o prometido, enquanto outras ficam aquém.

Para o condutor português, a diferença não está no papel, mas na estrada.

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Nélson Gomes da Costa
Nélson Gomes da Costa
Licenciado em Ciências da Comunicação, é jornalista há mais de 12 anos, com experiência em jornalismo regional e digital marketing, e passagem por cargos de jornalista, editor de desporto, subeditor e diretor. Apaixonado por desporto e cultura, acompanha de perto o universo tecnológico, explorando tendências como inteligência artificial, plataformas digitais e gadgets.