Apple atrasa iPad e dá prioridade a iPhone

Mónica Marques
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Pelos dados agora divulgados sobre as entregas do iPad nos dois últimos meses conclui-se que, em alguns países, o tempo de espera para receber o tablet pode demorar de até nove semanas.

Tudo porque a Apple está a dar prioridade à produção do iPhone que tem alguns componentes cruciais em comum com o iPad.

iPad sacrifica-se e iPhone regista aumento nas receitas

Foram agora divulgados os dados de envio do novo iPad aos utilizadores e concluiu-se de que, em alguns países, o tempo de espera para os utilizadores receberem o tablet pode ascender de até nove semanas.

De acordo com várias analistas do mercado, a situação fica a dever-se tanto à escassez global de componentes, como à estratégia da Apple. Tudo porque aparentemente a empresa de Cupertino está a dar prioridade à produção do mais recente iPhone 13, canalizando para aí os componentes cruciais que integram tanto o smartphone como o tablet.

Por outras palavras, a estratégia da Apple passa por "sacrificar" o iPad para que o iPhone 13 atinja os objetivos definidos e, consequentemente, responda à procura elevada.

Problemas de fornecimento afetam modelos mais antigos do iPad

E os resultados desta estratégia são já visíveis no relatório financeiro da Apple, referente ao período de outubro a dezembro de 2021. Os dados financeiros mostram que a receita do iPad foi de 7,25 mil milhões de dólares (6,41 mil milhões de euros), o que resulta numa queda anual de 14%.

Por seu lado, a receita do iPhone atingiu os 71,63 mil milhões de dólares, ou seja 63,41 mil milhões de euros, o que se traduz num aumento de 9,2%, em relação ao ano anterior.

Entretanto, Luca Maestri, responsável financeiro máximo da Apple, já afirmou publicamente que a escassez de iPads fica a dever-se a "restrições de oferta muito severas", acrescentando ainda que os problemas na cadeia de fornecimento de componentes afetam sobretudo os modelos mais antigos do tablet da empresa.

Estratégia de priorizar iPhone resultou no domínio do mercado chinês

E aparentemente a estratégia da Apple de dar prioridade ao iPhone está a resultar muito bem. Não só pelos resultados financeiros do último trimestre, mas também porque se tornou a principal fornecedora de smartphones, no mercado chinês, detendo 23% da quota de mercado.

Tal proeza já não acontecia desde o longínquo ano de 2015. De acordo com os analistas da Counterpoint, os bons resultados na Apple na China ficam a dever-se essencialmente a dois factores: a queda da Huawei e o preço bastante competitivo com que o iPhone chegou ao mercado chinês.

Por outro lado, a Counterpoint acredita também que o sucesso da empresa de Cupertino vai motivar os fabricantes chineses, como a Xiaomi, a integrar mais tecnologia de topo nos seus smartphones. Claro que tal poderá levar a um aumento dos preços médios dos smartphones no mercado chinês.

E é um facto que a média de preços praticada na China tem vindo a registar um aumento. Assim como também estamos a ver que as marcas chinesas estão a incluir mais tecnologia e a disponibilizar mais smartphones de topo, tanto no seu mercado local, como a nível global.

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Mónica Marques
Mónica Marques
Como jornalista de tecnologia assistiu à chegada do 3G e outros eventos igualmente inovadores no mundo hi-tech ao longo de mais de 20 anos de carreira.