AnTuTu bane o smartphone Realme GT ao detetar indícios de fraude nos benchmarks

Rui Bacelar
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A AnTuTu expõe o que considera ser "batota" ou distorção da realidade nos testes de benchmark efetuados pela Realme. Em causa está o smartphone Realme GT que terá usado alguns truques de software para obter melhor pontuação nos famosos testes.

Como resultado, a AnTuTu removeu temporariamente a pontuação do Realme GT das suas listas e tabelas de pontuações, tendo também emitido um ultimato à fabricante chinesa no sentido de a obrigar a corrigir a infração, ou arriscar ser banida.

A Realme terá feito batota na AnTuTu com o novo smartphone Realme GT

O smartphone Realme GT 5G foi apresentado em março de 2021.

É sem surpresas que damos conta de um novo caso de fraude nas pontuações de benchmark. À medida que as fabricantes se aperceberam da influência que as pontuações em testes como os da AnTuTu tinham nos consumidores, surgiu a tentação.

A mais recente infratora aparente ser a chinesa Realme, ou mais concretamente o smartphone Realme GT. Este é o smartphone mais recente da marca e aparenta estar a ser bem recebido no mercado. Infelizmente terá manipulado as pontuações na AnTuTu.

O caso foi exposto na rede social chinesa Weibo pela própria AnTuTu. Entretanto, várias publicações da especialidade como é o caso da Gizmochina deram mais divulgação ao sucedido. Como resultado, a AnTuTu removeu o telefone das suas listagens.

O Realme GT teve mais de 750 mil pontos na AnTuTu, o Xiaomi Mi 11 teve 708 mil

Recordamos que o Realme GT obteve mais de 750 mil pontos na AnTuTu, um valor consideravelmente acima do Xiaomi Mi 11 (708 mil pontos), entre outros smartphones de topo. A disparidade entre as pontuações foi o primeiro sinal de alerta.

Segundo as declarações dos responsáveis pela AnTuTu, "a pontuação obtida (750 mil pontos) não reflete o verdadeiro desempenho do telefone, tendo sido obtida por meios ilegítimos", acusa a entidade.

Mais concretamente, a AnTuTu denota a manipulação do desempenho do smartphone na carga multithread, bem como no processamento de ficheiros JPEG. Nestas duas etapas do ciclo de testes a entidade encontrou indícios de adulteração.

O telefone, ao reconhecer que a aplicação AnTuTu está a ser executada, adota um comportamento distinto. Fá-lo, por exemplo, para garantir que os processos mais exigentes usam os núcleos mais poderosos do processador, garantindo a melhor pontuação.

Mais ainda, a Realme terá adulterado a imagem JPEG de referência que é usada pela AnTuTu. De acordo com a entidade, a imagem inserida apresenta menor qualidade geral ao ser mais compactada e facilitar a sua codificação e descodificação pelo telefone.

A Realme não foi a primeira a fazer batota na AnTuTu

Como refere a própria AnTuTu, estas práticas vão seriamente contra o espírito e missão do seu ciclo de testes. Face ao exposto, a empresa removeu o Realme GT e respetivas pontuações das suas tabelas durante três meses.

À fabricante deixou também um ultimato. A empresa tem que parar com este tipo de manipulação e adulteração dos resultados, ou será permanentemente banida da AnTuTu.

Sublinhamos, por fim, que a Realme não foi a primeira a usar este tipo de subterfúgios. Recordamos os casos com a Samsung, Huawei, OnePlus, bem como a Meizu, todas tentando obter a melhor pontuação possível.

Para as fabricantes, os resultados de benchmark são uma ferramenta de marketing. Para o consumidor, podem ser um fator decisivo na hora da compra. Por norma, uma maior pontuação é sempre desejável e sinónimo de avanços tecnológicos.

Os resultados sintéticos não são reflexo fidedigno do desempenho na vida real, sendo sim um vetor de comparação da performance entre vários dispositivos móveis.

A AnTuTu é um barómetro do "poder" de um telefone, mas não deve ser o único a ser tido em conta.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
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