A discussão sobre carros elétricos versus combustão interna transformou-se numa batalha de trincheiras onde muitas vezes a desinformação impera. Ouvimos constantemente os mesmos argumentos sobre o preço inatingível das baterias, a suposta perda de liberdade ou como tudo era melhor nos tempos do gasóleo
Mas raramente alguém coloca os números no papel para verificar a veracidade destas afirmações. A maioria das pessoas que grita mais alto nas redes sociais desconhece muitas vezes o preço oficial de peças de serviço básicas nas marcas. A análise dos factos feita pelo EVClinic revelou um cenário bem diferente daquele que é pintado pelos (ainda) defensores do diesel.
Quando são calculaodos os custos para uma utilização intensiva de 400 000 quilómetros, o carro a gasóleo perde a corrida logo na partida e o buraco financeiro apenas aumenta com o passar do tempo, mesmo num cenário propositadamente pessimista para o elétrico. Esta comparação mantém-se válida mesmo que ambos os veículos mudem de dono durante esse período.
Complexidade mecânica coloca o carro a diesel em desvantagem
A complexidade mecânica é um fator determinante que muitos ignoram e que inverte a lógica da manutenção barata. Num veículo elétrico, a substituição completa da bateria e dos motores dianteiro e traseiro pode demorar entre 24 a 48 horas de trabalho. Num equivalente a combustão, como um BMW da mesma classe, substituir todos os componentes da transmissão ultrapassaria muito provavelmente as 500 horas de mão de obra.
O argumento do tempo de carregamento é outro ponto que cai por terra quando analisamos a utilização real e não teórica. Um condutor de diesel perde cerca de 92 horas da sua vida em bombas de combustível ao longo de 400 000 quilómetros, assumindo 550 paragens de 10 minutos.
Para quem carrega em casa, o tempo de espera num elétrico é virtualmente zero. Chegas a casa, ligas à tomada e o carro fica pronto de manhã. É uma realidade que já abordei quando comecei a conduzir carros elétricos, sobre a logística diária e a ansiedade de autonomia.
Mesmo no pior cenário possível, onde carregas apenas em postos rápidos públicos e demoras cerca de 450 horas a mais a carregar do que a abastecer gasóleo, a matemática continua a favorecer o elétrico. A poupança total face ao carro a combustão rondaria os 77 000 euros nestes 400.000 km.
Isto significa que cada hora extra passada no carregador equivale a um pagamento de 170 euros para o teu bolso. Basicamente, esperar para carregar torna-se uma decisão financeiramente lucrativa segundo este estudo. A conclusão matemática roça o absurdo para quem ainda defende a combustão com unhas e dentes.
Um carro a gasóleo não faz sentido financeiro mesmo que todas as peças e a mão de obra de manutenção fossem gratuitas. O custo por quilómetro é pelo menos duas vezes superior no diesel, podendo chegar ao triplo se o carregamento for feito maioritariamente em casa com tarifas domésticas. Tal como comprovámos quando conduzimos o Polestar 2 de Lisboa ao Algarve, a experiência real supera os mitos e a carteira agradece.
