Fonte: wired.com

Do Macintosh ao iMac, a estação de trabalho da Apple tornou-se icónica, elegante, altamente cobiçada e um autêntico standar de qualidade, produtividade e simplicidade de utilização. Uma combinação meticulosa entre software cuidadosamente concebido para as máquinas de Cupertino cujo design inspirou o resto do mercado. Contudo, está na hora de admitir-mos que o iMac não é uma das prioridades da Apple.

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Quem vos escreve estas linhas está a usar um MacBook Air de 2013 para o seu trabalho diário e um iPhone 6 como smartphone diário. Posto isto, guardem as armas de arremesso na algibeira.

   

De volta ao assunto, as atualizações e novos lançamentos para iMac já foram, outrora, uma espécie de ritual anual que marcava o início de um novo compasso para toda a indústria tecnológica. Contudo, este compasso tem passado de um Allegro (alegre e ligeiro) para um Adagio (Suave, vagaroso e cada vez menos Imponente).

Vejamos os portáteis da Apple, os seus Mac Pro que não foram atualizados desde 2013 e que, quando finalmente chegaram ao mercado, rapidamente começaram a apresentar algumas “imperfeições”, sendo a mais notória a mediocridade da autonomia de bateria, um assunto bem explorado pelos nossos colegas da Pplware. Todavia, isso é apenas a ponta do Icebergue.

A pedra de toque é a seguinte, o MacBook Pro demorou mais de 500 dias até ser atualizado e quando chegou trouxe uns altifalantes mais potentes, design mais fino e elegante. Regra geral são máquinas capazes com um toque de génio nas novas TouchBar’s. Aliás, sobre eles já muito foi dito e, goste-se ou não, é graças ao seu sistema operativo que continuam a ser os computadores mais simples e gratificantes de usar para o utilizador comum e para quem não se quer preocupar com o tecnicismo do Windows.

Contudo, apesar de as análises e opiniões do público geral serem positivas, o sector empresarial, criativo e produtores de conteúdos têm concluído que o novo computador portátil da Apple fica aquém da concorrência, sobretudo quando se considera o seu preço e se olha para um Microsoft Surface Studio.

Os preços vão desde 1.749,00 € (versão base de 13″) até aos 5.105,70 € (15″ full-specs)

Olhemos agora para o Mac mini, esta era a versão barata do computador, da estação de trabalho da Apple e cuja última atualização ocorreu em 2014 e não creio que voltem a ser melhorados, pelo menos num futuro próximo.

Ainda, de acordo com a Bloomberg (fonte), a Apple está a dar cada vez menos atenção aos iMac e a todo o seu segmento de computadores. De acordo com quem está intimamente familiarizado com os desígnios da Apple, a equipa encarregue pelos iMac e restantes Mac’s tem-se distanciado da equipa liderada por Jony Ive, o chefe do departamento de design da Apple, além de excelente narrador de vídeos.

O departamento encarregue pelos Mac’s queixa-se ainda da falta de uma direção clara e instruções concretas dos seus superiores directos, bem como algumas saídas de pessoal especializado no desenvolvimento de novo hardware para os iMac’s e restantes computadores. Tudo isto tem gerado vários atrasos no desenvolvimento de novos computadores.

O que estará a causar o desinteresse da Apple nos Mac’s?

iMac de 21 e 27 polegadas

Olhando para os números tudo começa a fazer sentido. Os Mac’s representam cerca de 10% das vendas e, apesar da gigante de Cupertino não poder alienar todos os designers profissionais e restante público empresarial que usa os iMac’s diariamente na sua atividade profissional, é fácil perceber o porquê deste desinteresse, mesmo que tenha sido este o sector que sustentou a escalada da Apple até ao topo do mercado.

A Apple depende cada vez mais do seu excelente ecossistema e do seu prodigioso departamento de marketing e publicidade. Contudo, se cada vez mais pessoas abandonarem os iMac’s e Mac’s, o ecossistema Apple tornar-se-á menos cativante e isto afetará directamente os produtos mais lucrativos como os iPhone’s. Tal como ainda hoje referimos, este pode ser o grande calcanhar de Aquiles da marca de Cupertino. Veja-se este excerto de uma entrevista dada por Steve Jobs em 1995.

Afinal de contas, a Microsoft que outrora gerava tantos novos utilizadores de iMac com o seu Windows cheio de bugs, complicações e sem uma plataforma de trabalho capaz de rivalizar com o estilo e padrões de qualidade da Apple, agora com o Windows 10 é capaz de providenciar um ecossistema fluído, intuitivo e capaz de apelar aos utilizadores mais exigentes.

A Microsoft soube aproveitar este deslize da Apple e apelidou o novo MacBook Pro de “desapontante” e afirmou que cada vez mais consumidores estão a adotar a sua linha de produtos Surface, algo que os iPad Pro são manifestamente inaptos para impedir.

Recusando-se a comentar esta afirmação, a Apple assegurou que o seu Macintosh e toda a família de iMac’s e MacBook’s continuam a ser um dos seus produtos mais importantes e nega a “desatenção” dada a este segmento.

A favor da Apple note-se que, tal como todos os outros fabricantes, os processadores utilizados são fabricados pela Intel e, tal como toda a restante indústria, por vezes os atrasos no desenvolvimento de um novo processador ou geração de processadores provocam atrasos no desenvolvimento de novas máquinas. Ora, cada vez mais tem sido difícil desenvolver novos processadores que justifiquem uma atualização geral da indústria.

Hoje em dia é cada vez mais difícil criar um produto inovador capaz de ofuscar a competição. Veja-se o novo MacBook Pro em que a Apple tentou desenvolver uma nova tecnologia para as bateria durarem mais mas, confrontados com vários desafios (e a exigência de um design cada vez mais fino e elegante), fizeram com que a marca falhasse redondamente em surpreender-nos com a autonomia do seu novo produto.

A Apple preferiu lançar os novos MacBook Pro, estando ciente da sua fraca autonomia de bateria, para não perder a tão lucrativa quadra natalícia. Em suma, a Apple não quis saber do consumidor final, colocando o marketing à frente do produto e esperando arrecadar receitas suficientes antes que o público se apercebesse do que tinha comprado.

Esta situação permite inferir um novo equilíbrio de forças dentro da empresa. Se, outrora, o departamento responsável pelos iMac’s recebia visitas e reuniões frequentes com o departamento de Jony Ive, com novos protótipos a serem apresentados frequentemente, desde então essas visitas e reuniões começaram a escassear, focando-se a empresa nos seus produtos mais valiosos como o iPhone e iPad.

Esta mudança tornou-se óbvia quando a direção do departamento de design sofreu alterações, de acordo com uma fonte com conhecimento de causa. Outro dos sinais surgiu quando a Apple re-organizou o seu departamento de desenvolvimento de sofware e, onde outrora existia uma equipada dedicada ao iMac e outra dedicada ao iOS, agora existe apenas uma equipa em que a maioria dos engenheiros dá primazia ao iOS.

O novo rumo: iPhone e iOS

 

Apple iPhone 7 Plus

Esta mudança fará com que os iMac’s e Mac’s em geral se tornem cada vez mais parecidos com os iPhones. Isto é, a Apple está a dar cada vez mais prioridade a características como a elegância do equipamento, o quão fino é o equipamento e quanto menos portas tiver, melhor. Das duas uma, ou a Apple acha que os utilizadores não são capazes de lidar com mais do que uma ou duas portas nos seus dispositivos ou simplesmente quer irritar os profissionais e quem precisa de uma máquina capaz, sem precisar de um 31 de adaptadores para tudo e mais alguma coisa…

Além disso, a direção da Apple nos últimos anos têm optado por avaliar pelo menos duas abordagens ao mesmo produto sempre que estão a trabalhar em algo novo. Isto significa que tanto os engenheiros como os designers têm sempre que desenvolver e trabalhar em várias opções, esperando que um deles caia nas boas graças da direção e seja a solução escolhida.

Esta agitação interna está a causar alguns danos, de acordo com fonte interna, mais de uma dúzia de engenheiros e pessoal qualificado que estava a trabalhar no hardware dos iMac’s e Mac’s em geral terá mudado de departamento ou abandonado a Apple no decurso do último ano e meio. Alguns estavam à procura de um ambiente de trabalho menos tortuoso enquanto outros sentiam que o futuro dos Mac e iMac era turvo e incerto num mundo de iPads e iPhones.

O velho trunfo: Mac Pro

Lançado em 2013, o seu Mac Pro continua a ser um dos produtos que mais desejo pelo seu design. Este cilindro preto com os LED’s brilhantes seduziu-me pela sua simplicidade e causou bastante impacto aquando do seu lançamento. Curiosamente foi o primeiro produto Apple produzido em solo norte-americano desde que a maioria das cadeias de produção se fixaram na China.

Três anos depois o Mac Pro está mais do que pronto para uma boa atualização. Os seus processadores, componentes e até as suas portas já estão atrás da maioria da competição (oxalá o preço fosse mais humilde com o passar do tempo).

Agora, mais do que nunca, a Apple está a sentir a pressão política para trazer pelo menos algumas das cadeias de produção para a América e isto pode trazer novo fôlego para os iMac’s e restantes computadores. Se o topo de gama já era produzido em solo norte-americano, os demais computadores podem seguir o mesmo rumo.

Seja como for, a Apple ainda não desistiu dos seus iMac’s e Mac’s, ainda há poucos dias, Tim Cook referiu que a Apple tinha excelentes estações de trabalho na sua agenda e que ninguém se devia preocupar com isso.

Terminando com uma nota pessoal, estou a precisar de um novo computador e sei que não devo comprar um dos atuais iMac’s por se estar a aproximar uma atualização dos mesmos. Devo admitir que o MacBook Air me serviu bem durante 3 anos mas preciso de um ecrã maior, de algo mais potente e não quero abandonar o ecossistema Apple. Contudo, se os novos iMac’s seguirem o mesmo rumo dos recentes MacBook Pro terei que procurar uma alternativa mais profissional na concorrência, por muito que isso me possa custar.

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Viapplware
FonteBloomberg
Quando não está a escrever um artigo ou a gravar algum vídeo, o Bacelar tem por hábito saborear um bom livro, descobrir novas bandas sonoras ou simplesmente desfrutar do sol, na companhia de quem mais gosta (MM).